segunda-feira, 28 de maio de 2012

Celebração Cultural: Treze anos de Artpoesia


Ana  Paula   Fanon
























 A  Poesia  Insiste,Persiste e Resiste esta é a bandeira  do movimento cultural  Artpoesia  que completou   13  anos  de  história em  maio  deste ano.Castro  Alves, Cruz  e Sousa, Lima  Barreto, Machado de Assis,Fernando Pessoa são alguns dos vários escritores  homenageados  nas publicações da revista Artpoesia.Movimento cultural que surgiu na  praça da Piedade organizado  pelos  poetas  Carlos  Barreto e  José   da Boa  Morte; com mais de noventa  edições   publicadas, o Artpoesia  tem  revelado  talentos e solidificado sua presença na cena  literária soteropolitana.
Conversamos com  o escritor, poeta e  um dos   fundadores  do movimento cultural Artpoesia José da Boa Morte, sobre os doze anos  de resistência  cultural deste movimento  e  projetos  para  as  comemorações  dos treze  anos de  intervenção artística.

Quando surgiu o movimento Cultural Artpoesia?

O Movimento Cultural Artpoesia foi criado em maio de 1999 pelos poetas José da Boa Morte e Carlos Alberto Barreto, com a proposta de reunir um grupo de autores que até então não tinham sido contemplados com a publicação de seus textos e pretendiam vivenciar a construção de um periódico mensal que pudesse veicular de forma democrática e acessível suas poesias e seus contos no meio popular. Iniciamos a nossa aparição pública nas praças da Piedade, Castro Alves, Nelson Mandela (bairro da Liberdade) em Salvador, seguida de participações e organização de recitais de poesias em escolas do ensino fundamental e médio. Logo depois vieram as apresentações dos poetas em Aracaju, Recife e outras capitais do Nordeste, além de dezenas de cidades do interior da Bahia. Tudo isso feito com a publicação dos textos de novos poetas que iam somando na caminhada dos últimos 12 anos, construindo uma trajetória de 97 edições.

 O senhor acredita que a difusão da poesia baiana cresceu?

Acredito que cresceu, mas ainda muito aquém daquele patamar desejável. O espaço ocupado na mídia (incluo todas as modalidades) ainda não aconteceu de fato, mas o pouco que avançou garantiu o encontro de um bom número de autores em grupo e comunidades virtuais e/ou físicas. É preciso fazer uma reflexão sobre isso, no que se refere a qualidade desse crescimento, ou melhor, se podemos afirmar que alcançamos um desenvolvimento. Por outro lado, vejo que a arte é manifestada em sua primazia mergulhada na liberdade, e ela é avessa a padrões e processos de massificação. Por isso, vemos com preocupação a tentativa de denominar projeto de sucesso aquele em que o poeta e a poesia carregam multidões. Se assim acontecer, que seja por reflexão, por opção. Nós, poetas, ainda temos este desafio natural de articular o pensamento na pauta (papel, tela digital etc) sem aprisionar o sentimento, as emoções.  Vejo muito bons autores surgindo e se revelando no presente momento. E digo mais, os vários grupos que hoje se associam nesta caminhada de bravos pela poesia livre, subversiva e libertária, ainda que figurem atores e atrizes que desfilam longe dos palcos “oficiais”, representam uma nova geração de autores baianos dignos de sua história.

  Quais são os projetos do movimento cultural Artpoesia?

Neste ano de 2012 estamos realizando o projeto “Pão e Poesia”, em execução em praças de Salvador e/ou sede de entidades públicas e privadas. Ele tem a proposta de reunir poetas e público em geral em um evento poético onde é servido um banquete cultural do pão que alimenta o corpo e a poesia que alimenta o espírito. Outro projeto é o “Circuito de Arte e Literatura nas Escolas”, que tem a proposta de revelar os autores no seio da comunidade estudantil. E recentemente promovemos o “Projeto Intervalo Poético”, também realizado nas escolas, faculdades e universidades, para promover a mobilidade cultural da arte poética no espaço e no tempo de intervalos dos estudantes e professores em suas unidades de ensino.
Neste ano, no mês de maio de 2012, iremos comemorar os 13 anos de existência e resistência do  Movimento Cultural Artpoesia com o lançamento da edição nº 100 da Revista Cultural. Por isso convoco a todos e todas para apoiar esse evento, adquirindo um pacote de assinatura da nossa revista (6 ou 12 edições) para que a Revista Artpoesia represente um esforço solidário e poético de todos que fazem a poesia baiana.

 O autor que deseja publicar na revista Artpoesia como deve proceder ?

Os interessados em participar das edições da Revista Artpoesia devem enviar seus textos para o nosso editor, Carlos Alberto Barreto, através do email vatebarreto@ig.com.br  . Os textos recebidos serão analisados e os autores obtêm a resposta sobre a escolha de temas e liberdade de opinar sobre o conteúdo com o editor. A nossa publicação é feita em sistema cooperativista, ou seja, dividimos os custos de impressão gráfica com os autores e com isso fazemos a revista numa produção coletiva, onde cada participante é responsável pelo alcance da divulgação do trabalho dos textos do grupo. Nesta modalidade de participação, todos são tratados de forma igual e inclusiva. Quando o autor não possui os recursos para contribuir com o custo gráfico, todos os outros participantes promovem a animação da comunidade para apoiar e manter acesa a chama de participação de todos.

  O senhor poderia contar alguma situação que marcou o movimento cultural Artpoesia nestes 12 anos de história?

A trajetória de 97 edições editadas nos últimos 12 anos e o alcance de pelo menos 4.000.000 (quatro milhões) de leitores, no meio popular e acadêmico e a revelação de 750 novos talentos (poetas e contistas) marca muito a todos nós que fazemos um grande esforço para manter os nossos projetos. Mas posso citar um dos episódios que encarnam a força da arte. O reencontro de pai e filha (poetas) através da leitura de seus textos e a conseqüente emoção em um Recital depois de mais de 20 anos de afastamento. Episódios como esse engrandece o nosso trabalho e nos anima para vencer os desafios futuros.
                                                 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lima Barreto, o escritor imortal



O 13 de maio, o pré-modernismo e a literatura combativa


Ana Paula Fanon

“Mas, como é que ele tão sereno, tão lúcido, empregara sua vida, gastara o seu tempo, envelhecera atrás de tal quimera? Como é que não viu nitidamente a realidade, não a pressentiu logo e se deixou enganar por um falaz ídolo, absorver-se nele, dar-lhe em holocausto toda a sua existência? Foi o seu isolamento, o seu esquecimento de si mesmo; e assim é que ia para a cova, sem deixar traço seu, sem um filho, sem um amor, sem um beijo mais quente, sem nenhum mesmo, e sem sequer uma asneira!” (Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)




Dia 13 de maio de 1888 foi assinada pela princesa Isabel a Lei Áurea. A partir daquele dia "aboliu-se a escravidão no Brasil". Logo após a assinatura da lei tudo ficou bem no país e os chamados ex-escravos ficaram livres para sempre como um conto das Mil e Uma Noites, muitos pensaram que seria desta forma que iríamos reagir nesta data, que nós iríamos aceitar passivamente sem questionar sobre este projeto forjado e excludente ao qual homens e mulheres negros e negras não se submeteram.
              Nesta mesma data no ano de 1881 na cidade do Rio de Janeiro nasce um combatente do movimento pré-modernista brasileiro, Afonso Henrique de Lima Barreto. Filho de um tipógrafo da Imprensa Nacional e de uma professora pública, foi iniciado nos estudos pela própria mãe, que veio a falecer quando ele tinha apenas 7 anos de idade, e pela mão de seu padrinho de batismo, o Visconde de Ouro Preto, ministro do Império, completou-os no Ginásio Nacional (Pedro II), entrando em 1897 para a Escola politécnica, pretendendo ser engenheiro. Teve, porém, de abandonar o curso para assumir a chefia e o sustento da família, devido ao enlouquecimento do pai, em 1902. Nesse mesmo ano, estréia na imprensa estudantil. O escritor publicou importantes obras como: A Nova Califórnia, Bruzudangas, Clara dos Anjos, O Cemitério dos Vivos, O Homem que sabia javanês, Recordações do escrivão Isaias Caminhas, Triste Fim de Policarpo Quaresma, O Subterrâneo do Morro do Castelo, além de diversos contos, crônicas e correspondências.
  Lima Barreto, desde muito cedo, sabia que o racismo seria uma das barreiras que iria encontrar na sua trajetória de vida, tanto pessoal quanto profissional. 


"Eu sou Afonso Henrique de Lima Barreto. Tenho vinte e dois anos. Sou filho legitimo de João Henrique de Lima Barreto. Fui aluno da escola Politécnica. No futuro escreverei a história da escravidão negra no Brasil e sua influência na nossa nacionalidade". (Diário intimo p.33) 


Mesmo com todas os obstáculos encontrado, o escritor não recuou e decidiu fazer do código escrito, através da literatura, um instrumento de denúncia e posicionamento sobre o racismo e a falsa ideia do projeto de modernização na sociedade brasileira. Porta voz do povo negro, Lima Barreto abordava de forma crítica nas suas obras questões ligadas a movimentos históricos, relações sociais e raciais, transformações políticas, sociais, econômicas e culturais, ao cotidiano urbano e suburbano da cidade do Rio de Janeiro entre outros temas. Talvez essa seja a explicação que gerou a recusa da indicação do seu nome para ser membro da Academia Brasileira de Letras. Porém, o escritor sabia da missão da literatura enquanto representação de um momento histórico social e da relevância da sua atividade intelectual. 


"A minha atividade excede em cada minuto o instante presente, estende-se ao futuro. Eu consumo a minha energia sem recear que esse consumo seja uma perda estéril, imponho-me privações, contando que o futuro as resgatará - e sigo o meu caminho". (Lima Barreto, O destino da literatura).

             Lima Barreto é considerado pela crítica literária um contrariador das ideias vigentes   no período da República Velha no Brasil, a importância de suas obras são marcadas pelo  rompimento com o cânones literários, pois é a partir dos seus escritos que iremos identificar  as vozes subalternas da sociedade brasileira, o cotidiano do subúrbio carioca segundo o livro de Beatriz Resende; Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos.
              O autor faleceu 1 de novembro de 1922, vitima do alcoolismo, mas deixou o legado     da literatura militante para as diversas gerações.

domingo, 13 de maio de 2012

Diáspora - Romance de Fernando Conceição

Ver TV - A Presença do Negro na Televisão Brasileira (Bloco 1/3)

Ver TV - A Presença do Negro na Televisão Brasileira (Bloco 2/3)

Ver TV - Presença do Negro na Televisão Brasileira (Bloco 3/3)

Lima Barreto: um grito brasileiro. (Mestres da Literatura)

lima barreto

Lima Barreto (2/2) - De Lá Pra Cá - 03/04/2011